sexta-feira, julho 23, 2004

Tudo é vaidade...

Segundo previsão de Freitas do Amaral na revista "Visão" (que depois de Durão Barroso e Santana Lopes acabou por ser mais um que se demitiu do seu cargo na sequência da crise política, embora neste caso do cargo de comentador político*) estamos a atravessar “uma das fases mais conturbadas da vida Portuguesa pós-25 de Abril.”
 
* In "Visão" nº 593 Pág 39:

“Interrompo, pois, aqui a minha intervenção pública em artigos ou entrevistas em qualquer órgão de comunicação social. Não quero complicar mais aquela que prevejo virá a ser uma das fases mais conturbadas da vida Portuguesa pós-25 de Abril.”

 
Não me cabe a mim avaliar quão acertada será esta profecia, o tempo se encarregará de o fazer.
 
No entanto vários comentadores de todas as cores políticas têm escrito e opinado ultimamente a respeito do que se tem passado após a tão criticada decisão do Presidente da República e na verdade sente-se no ar que estes tempos são tempos de grande instabilidade e até mesmo de algum pânico.
 
É curioso que Manuel António Pina, novamente na “Visão”, faz alusão ao diálogo de Xenofonte:
 
“ – Achas que é possível saber o que é a democracia, sem saber o que é o demos? – Por Zeus que não! – E sabes o que é o demos? – Claro que sei. – Então o que é o demos? – Para mim, são os pobres, dentre os cidadãos”…

“Daí que tanta gente” – conclui António Pina – “esteja hoje decepcionada não só com Sampaio, mas com o próprio processo democrático (…) Por isso é que a loja tem cada vez menos clientes.”
 
O que é verdade é que nos dias que correm o modelo democrático em que supostamente o povo decide o seu destino político através do voto, tem vindo a demonstrar as suas falhas. Especialmente se levarmos em linha de conta que o actual governo nem sequer resulta dum processo eleitoral normal.
 
Quanto a mim as falhas deste sistema já não são de agora mas têm vindo a manifestar-se desde que a fulanização das campanhas se têm sobreposto aos programas eleitorais baseados em linhas ideológicas distintas. Cada vez mais o que conta não são partidos nem ideais mas sim a aparência e o poder mediático dos que se apresentam aos eleitores apelando ao voto.
 
Isto tem resultado em campanhas eleitorais onde abundam os ataques pessoais e a cada vez maior influência dos gurus da publicidade e dos consultores de imagem.
 
No fundo o que temos é uma oferta fútil e desprovida de ideias. Não é por acaso que um baixinho chamado António Vitorino, não se achou capaz de vencer um mediático e bem parecido Santana Lopes e já se apronta o não menos mediático José Sócrates, certamente a ser aconselhado por algum Edson Athaíde de pacotilha, a fazer o possível por tentar ser mais parecido ainda com um tal de George Clooney.
 
Estarei a ser simplista? Ingénuo? Talvez.   
  
Mas veremos até que ponto é que ao fazermos uma análise a tudo o que ainda se vai passar em termos políticos neste País, não acabaremos por ficar com a impressão que aqueles que nos governam ainda agem como se andassem no liceu a tentar impressionar as miúdas.

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